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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A Canoa

Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para outro.
Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. 
Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro: 
Companheiro, você entende de leis? 
Não – Responde o barqueiro.
E o advogado compadecido: 
É pena, você perdeu metade da vida! 
A professora muito social entra na conversa: 
Seu barqueiro sabe ler e escrever? 
Também não – Responde o remador. 
Que pena! – Condoi-se a mestra! 
– Você perdeu metade da vida! 
Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco.
O canoeiro preocupado, pergunta: 
Vocês sabem nadar? 
Não! – Respondem eles rapidamente. 
Então é uma pena – Concluiu o barqueiro 
– Vocês perderam toda a sua vida!”

"Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes!" Paulo Freire
Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais tenha contato.
Cada uma delas tem algo diferente para nos ensinar...

Colaboração: Carlos E. Della Justina

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Criação da Mulher e do Amor

Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo nada sólido para construir, fez a Mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a Mulher e a entregou ao homem como sua companheira. Após uma semana, o homem voltou e disse: 
- Senhor, a criatura que me deste faz a minha vida infeliz. Ela fala sem parar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro e assim as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e fica facilmente emburrada e, às vezes, fica muito tempo ociosa. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela. 
Depois de uma semana o homem voltou ao Criador e disse: 
- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu sempre penso nela, em como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se achegava à mim. Ela era agradável de se ver e de acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir. Por favor, me dê ela de volta. 
- Está bem, disse o Criador. E a devolveu. 
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse: 
- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar mas, depois de toda esta minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe, tomá-la de novo! Não consigo viver com ela! 
O Criador respondeu: 
- Mas também não sabe viver sem ela. 
E virou as costas para o homem e continuou seu trabalho. 
O homem desesperado disse: 
- Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela. 
E arremata o Criador: 
- Achei que, com as tentativas, você já tivesse descoberto. Amor é um sentimento a ser aprendido. É tensão e satisfação. É desejo e hostilidade. É alegria e dor. Um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor, a sua própria beleza é o seu próprio fardo. 
Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. 
A pessoa terá sempre que abdicar de alguma coisa para ganhar outra. 
É como plantar uma árvore frente a uma janela... 
Ganha-se sombra, mas perde-se uma parte da paisagem. É preciso considerar tudo isso,
quando nos dispomos a aprender a amar.

Autor desconheço
Colaboração: Carlos E. Della Justina 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Generosidade é Contagiante

Quanto mais caminho, mais percebo o quanto o mundo anda sedento. As pessoas correm, sofrem, se desesperam e continuam buscando a felicidade como se essa fosse apenas uma miragem nesse imenso deserto que a vida se transformou.
Há muita gente no mundo, milhares e milhares. 
Portanto, a solidão continua assolando vidas, maltratando corações que, no fim do dia e das contas acabam desacreditando nas portas que se abrem a elas. 
Cada qual pensa no próprio eu e todo mundo se isola. Enquanto isso, a vida continua, cresce a indiferença, cresce o desamor, multiplicam-se as depressões e incompreensões.
As pessoas sentem-se vazias e reagem como pessoas vazias. Vazias, pelo menos, de amor e caridade, mas cheias de tristezas e desilusões. 
Há, portanto, dentro de cada um de nós um poço de possibilidades e compartilhar de si é deixar-se um pouquinho em cada um.
Só não tem nada para oferecer quem possui um coração vazio, não as mãos. 
E acabar com a solidão de alguém é contribuir para o fim da própria solidão. Oferecer a esperança é dar-se a si uma nova chance, é reabrir portas, é descobrir o novo e entregar-se a ele.
Há melhor presente no mundo que o dom de si? 
Há coisa mais bonita que saciar o coração de alguém? 
Devolver a esperança, por menor que seja ela, é dar às pessoas a oportunidade de descobrir o outro lado da vida, aquele que, embora um pouco esquecido, ainda existe.
O dia tem 24 horas e parece muitas vezes que são insuficientes para fazermos tudo o que temos que fazer. 
Lamentamos a falta de tempo para isso ou aquilo e pensamos que um dia, quem sabe, se atingirmos a bênção da velhice tranquila, poderemos dar um pouco mais de nós aos outros. 
Quanto engano!
Podemos dar de nós a cada dia e a cada hora, agindo com o coração e tendo uma atitude que nos torna diferentes em qualquer lugar. Pode-se resistir ao ódio por muito tempo, mas quem resiste à ternura, ao afeto, ao amor e à boa-vontade?
Quando as pessoas agirem com menos egoísmo e ao invés de ruminarem a própria infelicidade começarem a agir para o bem do próximo, as doenças da alma começarão a encontrar a cura e o amanhecer terá para cada um de nós um outro rosto, mais sereno, mais amigo e mais esperado.

Autor desconheço
Colaboração: Carlos E. Della Justina