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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Família é Prato Difícil de Preparar


Família é prato difícil de preparar.
São muitos ingredientes. 
Reunir todos é um problema... 
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. 
Às vezes, dá até vontade de desistir... 
Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. 
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida. 
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. 
Sicrano, quem diria? 
Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. 
Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada.  
A outra, a mais consistente...
Já estão aí? Todos? Ótimo.
Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. 
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. 
Família é prato que emociona. 
E a gente chora mesmo. 
De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. 
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre.
Família é prato extremamente sensível. 
Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. 
Principalmente na hora que se decide meter a colher. 
Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. 
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.
Família é afinidade, é à Moda da Casa.
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. 
Outras, meio amargas. 
Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. 
Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia.
Se puder saborear, saboreie.
Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Francisco Azevedo
Trecho do livro “O Arroz de Palma”
Colaboração: Carlos E. Della Justina

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O Último Folheto De Missa


Todos os domingos o sobrinho do velho vigário saía pela cidade e entregava folhetos de missa. Num desses dias chuvosos e frios, o menino se agasalhou e saiu caminhando pelas ruas desertas, parando de porta em porta e entregando os folhetos sacros.
Depois de caminhar por duas horas na chuva, todo molhado, faltava entregar o último folheto. Chegou até uma casa toda fechada, misteriosamente fechada e  tocou a campainha. Ninguém respondeu. Tocou de novo. Tocou mais uma vez, mas ninguém abriu a porta. Estranhou tanta demora pois, naquela cidadezinha, eram todos conhecidos,
 Virou-se para ir embora, mas algo o deteve. Tocou a campainha e bateu bem forte na porta. Desta vez a porta se abriu bem devagar. De pé na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste. Mas ainda conseguiu murmurar com voz sumida:
-'O que eu posso fazer por você, meu filho?' 
-'Senhora, me perdoe se estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que Jesus gosta muito da senhora. E lhe manda este folheto que fala Dele. - Virou-se e saiu olhando sempre para ela. 
 Na missa do domingo seguinte o Padre perguntou no momento das intenções se alguém tinha algo a dizer?' Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa se pôs de pé e começou toda emocionada:
- Desde quando meu marido faleceu deixando-me totalmente sozinha neste mundo, eu perdi a vontade de viver. Então peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão da minha casa. Eu amarrei a corda numa viga do telhado, subi na cadeira e coloquei a outra ponta da corda  no pescoço. De pé naquela cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar com a corda no pescoço, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Vou esperar um minuto e quem quer que seja, irá embora. Mas a campainha era insistente. Depois a pessoa que estava tocando, começou a bater bem forte. Ninguém toca a campainha da minha casa ou vem me visitar. 'Eu afrouxei a corda do meu pescoço e fui ver quem era.. Quando eu abri a porta e vi quem era, mal pude acreditar. Era um menino, talvez mandado por Deus que disse:
-'Senhora, eu só vim aqui para dizer que Jesus gosta muito da senhora.
'Entregou-me o folheto que eu li palavra por palavra. O resto já sabem...
 Não havia na igreja quem não tivesse lágrimas nos olhos. O velho Padre desceu do altar e foi abraçar a mulher – ressuscitada - e  seu sobrinho que também chorava de emoção.

Autor desconhecido
Colaboração: Carlos E. Della Justina

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A Flor Que Não Foi Cuidada


Havia uma jovem muito bonita, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que pagava muitíssimo bem, uma família unida. O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas.
Se o trabalho consumia muito tempo, ela tirava dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido...E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois...
Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um exemplar apenas em todo o mundo. E disse a ela: 
-“Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, às vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.” 
A jovem ficou emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor. Ela chegava do serviço, olhava, A flor e as folhas ainda estavam lá, não mostravam nenhum sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto.
 Mas um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou a casa e levou um susto! Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas. A jovem chorou muito e contou a seu pai o que havia acontecido.
Seu pai então respondeu:
“Eu já imaginava que isso aconteceria, e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de cuidar dela. Cuide das pessoas que você ama!"

Lição: E você? Tem cuidado com pessoas que Deus te deu? Principalmente dos seus familiares, amigos e benfeitores? Ele no-los dá, mas nós é que temos que cuidar deles. Só o amor preserva e conserva.

Autor desconhecido
Colaboração: Carlos E. Della Justina