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terça-feira, 17 de março de 2009

Dois Mares

Na Palestina existem dois mares.
Um é doce, e em suas águas abundam os peixes; prados, bosques e jardins enfeitam suas margens.
As árvores estendem sobre ele seus ramos, e avançam suas raízes sedentas para beber as águas saudáveis.
Em suas praias brincam aos grupos, as crianças como brincavam quando Jesus ali estava.
Ele amava este mar. Contemplando sua prateada superfície, muitas vezes predicou suas parábolas.
E num vale vizinho deu de comer a cinco mil pessoas com cinco pães e alguns peixes.
As cristalinas águas espumantes de um braço do Jordão, que descem saltando dos cerros, formam este mar que ri e que canta sob a caricia do sol.
Os homens edificam suas casas perto dele e os pássaros seus ninhos.
E tudo quanto ali vive é feliz, apenas por estar às suas margens.
O Jordão desemboca ao sul em outro mar.
Ali não há movimento de peixes, nem sussurro de folhas, nem canto de pássaros, nem risos infantis.
Os viajantes evitam esta rota, a menos que a urgência de seus negócios os obrigue a seguí-la.
Uma atmosfera densa paira sobre as águas desse mar que nem o homem, nem a besta, nem a ave bebe jamais.
A que se deve esta enorme diferença entre dois mares vizinhos?
Não se deve ao rio Jordão; tão boa é a água que lança num como no outro.
Também não se deve ao solo que lhes serve de leito, e nem às terras que o circundam.
A diferença se deve a isto:
O mar da Galiléia recebe as águas do rio Jordão, mas não as retém ou as conserva em seu poder.
Para cada gota que entra, sai uma gota.
O dar e receber se cumpre ali em idêntica medida.
O outro mar é avaro e retém com ciúmes o que recebe.
Jamais é tentado por impulso generoso.
Cada gota que ali cai, é gota que ali fica.
O mar da Galiléia dá e vive.
O outro não dá nada. Chama-se Mar Morto.
HÁ DUAS CLASSES DE GENTE NESTE MUNDO...
HÁ DOIS MARES NA PALESTINA...
(Paulo Rogério Petrizi )

segunda-feira, 16 de março de 2009

Felicidade Realista

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
(Mário Quintana)

sexta-feira, 6 de março de 2009

A Dificuldade De Agradar A Todos

Muitas pessoas se comportam da forma que imaginam que agradará a todos.
Esta metáfora nos fala da impossibilidade de realizar este objetivo e sobre a necessidade de confiarmos em nosso julgamento interno.
Em pleno calor do dia um pai andava pelas poeirentas ruas de Keshan junto com seu filho e um jumento.
O pai estava sentado no animal, enquanto o filho o conduzia, puxando a montaria com uma corda.
"Pobre criança!", exclamou um passante, "suas perninhas curtas precisam esforçar-se para não ficar para trás do jumento.
Como pode aquele homem ficar ali sentado tão calmamente sobre a montaria, ao ver que o menino está virando um farrapo de tanto correr.
O pai tomou a sério esta observação, desmontou do jumento na esquina seguinte e colocou o rapaz sobre a sela.
Porém não passou muito tempo até que outro passante erguesse a voz para dizer:
Que desgraça! O pequeno fedelho lá vai sentado como um sultão, enquanto seu velho pai corre ao lado.
Esse comentário muito magoou o rapaz, e ele pediu ao pai que montasse também no burro, às suas costas.
Já se viu coisa como essa?, resmungou uma mulher usando véu. Tamanha crueldade para com os animais!
O lombo do pobre jumento está vergado, e aquele velho que para nada serve e seu filho abancaram-se como se o animal fosse um divã.
Pobre criatura! "Os dois alvos dessa amarga crítica entreolharam-se e, sem dizer palavra, desmontaram.
Entretanto mal tinham andado alguns passos quando outro estranho fez troça deles ao dizer:
Graças a Deus que eu não sou tão bobo assim!
Por que vocês dois conduzem esse jumento se ele não lhes presta serviço algum, se ele nem mesmo serve de montaria para um de vocês?
O pai colocou um punhado de palha na boca do jumento e pôs a mão sobre o ombro do filho.
"Independente do que fazemos", disse, sempre há alguém que discorda de nossa ação.
Acho que nós mesmos precisamos determinar o que é correto".
Autor Desconhecido