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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O Urso Faminto

Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou um panelão de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto.
E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo...
Quando terminei de ouvir esta história de um mestre, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes.
Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes.
Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca numa situação de sofrimento, de desespero.
Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos, acreditamos e defendemos.
Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece salvação vai lhe dar condições de prosseguir.
Tenha a coragem e a visão que o urso não teve.
Tire de seu caminho tudo aquilo que faz seu coração arder.
Solte a panela!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ventos E Tempestades Da Vida

Um escritor inglês, do século passado, conta em uma de suas obras que na praia perto de sua casa, uma coisa muito interessante podia ser vista com freqüência:
Um navio lançando a sua âncora no mar enfurecido. Dificilmente existe uma coisa mais interessante ou sugestiva do que essa.
O navio dança sobre as ondas. Parece estar sob o poder e à mercê delas.
O vento e a água se combinam para fazer do navio o seu brinquedo.
Parece que vai haver destruição; pois se o casco do navio for lançado sobre as rochas, será despedaçado.
Mas observamos que o navio mantém a sua posição. Embora à primeira vista parecesse um brinquedinho desamparado à mercê dos elementos, o navio não é vencido.
Qual é o segredo da segurança deste navio?
Como pode resistir às forças da natureza com tanta tranqüilidade?
Existe segurança para o navio no meio da tempestade porque ele está ancorado!
A corda à qual ele está amarrado não depende das águas, nem de qualquer outra coisa que flutue dentro delas.
Ela as atravessa e está fixada no fundo sólido do mar.
Não importa quão forte o vento sopre ou quão altas sejam as ondas do mar...
A sua segurança depende da âncora que está imóvel no fundo do oceano...
Muitas vezes nos sentimos no meio de uma tormenta, sendo jogados pelas ondas da vida para cima e para baixo e açoitados pelo vento da adversidade.
Parece-nos, às vezes, que não conseguiremos sobreviver a determinados períodos de nossas vidas.
Sem uma vida espiritual, a nossa vida é como um navio sacudido pelo mar enraivecido das circunstâncias incontroláveis da vida.
Mas, confiando em Deus, experimentamos sua presença e amor como âncora da nossa vida.
Nos sentimos encorajados e esperançosos.
Essa esperança mantém segura e firme a nossa vida, assim como a âncora mantém seguro o barco.
(L. R. Silvado)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Assim Nascem As Flores

Seus pais Arno e Zélia Nardini, ambos trabalhadores de uma malharia em Gaspar S.C declaram que ele sempre foi um menino diferente e especial, até na forma como apareceu em suas vidas.
Na noite de 22/04/2004, foi deixado na porta do casal, em uma caixa de papelão, com um bilhete: "Cuide bem do meu anjinho e ele transformará sua vida" .Aqueles olhos de um azul profundo e aqueles cabelos encaracolados nos deixaram completamente apaixonados. E foi esta paixão que fez com que o Juiz nos desse a guarda provisória e mais tarde a definitiva.Com pouco mais de oito meses deu seus primeiros passos. Quase morremos de susto quando descobrimos aos três anos e meio , que ele sabia ler. É um menino diferente, afirma Arno. Ele diz coisas de gente grande. Tem verdadeira adoração por jardins e flores, sendo as rosas, as suas preferidas. Seus enormes olhos azuis parecem luzes intensas quando vê uma delas.É apaixonado pelos avos, os pais do Arno, pois os meus pais já se foram, diz Zélia. O interessante é que nunca os chama de vovô ou vovó. Sempre se refere aos dois como "as minhas florzinhas" e toda semana tem que visita-los, pois com eles construiu um jardim, que tem banco, iluminação e até uma placa de madeira entalhada pelo seu João, pai do Arno". Na tarde desta sexta feira , quando o pegamos na creche, notamos que estava eufórico e queria por toda lei ir para casa dos avós, pois disse que três rosas estavam para desabrochar e ele não podia deixar de ver. Tanto insistiu que apesar daquela chuva toda fomos no sábado de manhã leva-lo para o sítio dos avos . Mal chegamos, ele disse pra mim e pro Arno, que devíamos voltar logo, pois estava chovendo e podia não dar tempo, pois ele iria ficar para ver as rosas abrindo. Insistiu tanto que assim fizemos, deixamos ele lá, para meu sogro trazer no domingo. Quando estávamos saíndo pela porta, ele pediu para não ficarmos tristes, por ele ficar com suas duas florzinhas e que um anjinho iria me dar uma florzinha também. Ao ver na TV, no domingo de manhã os estragos causados pelos deslizamentos no morro do baú e ver o estado em que ficou o sítio do meu sogro, entramos em desespero, mas não queríamos acreditar que o pior tivesse acontecido, mas a dura realidade nos fez acordar deste sonho ruim. As equipes de resgate encontraram abraçados na lama do jardim, meu sogro, sogra e meu pequeno Thiago, juntos a um galho de roseira, que inexplicavelmente estava intacto, com três botões de rosa. Sob os corpos a placa entalhada pelo meu sogro, com os dizeres: "Renascemos de novo, do nada, da lama do lodo". Não resisti a tanta dor e fui levada ao hospital Santa Izabel e lá depois de medicada, foi constatado que estou grávida. Daí entendí as palavras do meu Thiago quando nos despedimos, que um anjinho também me daria uma florzinha. Que a mensagem entalhada na placa do jardim do meu Thiago, seja o lema para todos aqueles que deixaram um pedaço de suas vidas sob os escombros desta tragédia.
Zélia Nardini.