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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ser Gente

Há muito não via uma cena como aquela. Logo pela manhã, chegamos a uma cidadezinha que faz parte da região metropolitana de grande capital brasileira.
Paramos em frente ao local do nosso destino e ficamos aguardando a pessoa com quem havíamos marcado compromisso, numa rua sem asfalto e com pouco movimento de carros.
Era a hora em que as pessoas estavam indo para o trabalho, e foi aí que me dei conta de algo que há muito não via. As pessoas que transitavam, a pé, pela rua, nos dirigiam um fraterno "bom dia". Ao primeiro cumprimento não respondemos, tal a surpresa, pois as grandes cidades nos tiram a sensibilidade de seres humanos.
Geralmente andamos pelas ruas abarrotadas de pessoas, mas umas não olham para as outras, e quando o fazem é para tomar os devidos cuidados com possíveis assaltantes.
E isso não acontece só nas ruas, onde o número de pedestres é grande, não. Quando entramos num elevador ficamos sem jeito, sem palavras, e geralmente olhamos para o teto ou para o chão, com receio de olhar no rosto daquelas pessoas que dividem conosco aquele pequeno espaço.
O que está acontecendo conosco?
Será que estamos perdendo a humanidade para nos tornar autômatos?
Será que estamos perdendo a sensibilidade de olhar, sem medo, nos olhos do nosso semelhante e saudá-lo?
Será que não temos mais a capacidade de desejar um sincero bom dia a alguém?
O que está acontecendo conosco, afinal?
Ás vezes, quando andamos pelas ruas dos grandes centros, notamos que as pessoas circulam apressadas, alheias a tudo, como naqueles filmes de ficção, em que as pessoas foram substituídas por robôs.
Programados para tarefas específicas, esses robôs não têm a sensibilidade dos seres humanos... Não têm coração, têm chips, computadores eficientes, mas não têm calor humano. São frios.
A sensibilidade é atributo dos seres humanos. A fraternidade, a solidariedade, o afeto, a ternura, são inerentes à criatura humana. Quando, naquela manhã, pessoas que nunca havíamos visto antes nos olharam e nos desejaram um sonoro e convicto bom dia, nos sentimos gente.
Ser gente! Eis do que sentimos falta.
Talvez isso pareça medíocre, para alguns, mas é bom se sentir gente.
Receber de um desconhecido um olhar de afeto, um olhar de encorajamento, faz bem para a alma.
É bom saber que as pessoas notam você e que você as nota, não como supostos bandidos, mas como gente, apenas como gente.
Há tanta falta de atenção de uns para com os outros, nesses tempos de correria em busca de dinheiro e coisas, que nos esquecemos de que somos todos passageiros dessa grande embarcação chamada terra.
Esquecemos de que somos concidadãos dessa pátria-mãe chamada Brasil.
Por isso tudo,é bom se sentir gente entre pessoas que, como nós mesmos, lutam, sofrem, trabalham e choram...
Pessoas que amam, que sonham, que buscam um lugar ao sol, e que desejam ser, simplesmente... Gente.
Pense nisso!
Saúde as pessoas que cruzam seu caminho: o vizinho, o jardineiro, o ascensorista, serventes, pessoas no elevador.
E se o seu dia amanheceu nublado, se você não está com vontade de saudar ninguém, olhe para as pessoas com fraternidade.
Faça-as sentirem-se gente. Gente como você.
É uma atitude simples, mas tão poderosa que pode levantar o ânimo de alguém, evitar um suicídio, promover, de fato um bom dia para alguém.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Uma Gota D'Água

Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d`água? Sim, uma pequena gota d`água se equilibrando na ponta de um frágil raminho... Com graciosidade a gotícula desafia a lei da gravidade, se balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor. São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai. É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo. Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis. Um dia, um jornalista que a entrevistava disse-lhe que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d`água no oceano. E aquela pequena sábia-mulher, lhe respondeu: “sim, meu filho, mas sem essa gota d`água o oceano seria menor.” Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda. Pois sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não seria tão bela... Um aperto de mão, em meio à correria do dia-a-dia... Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos, para que não caia nas malhas do desespero... Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo. Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida. Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas da ira. O silêncio, frente à ignorância disfarçada de ciência... A tolerância com quem perdeu o equilíbrio. Um olhar de ternura para quem pena na amargura. Pode-se dizer que tudo isso são apenas gotas d`água que se perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença para quem as recebe. Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da nossa pequenez conseguimos realizar, a humanidade seria triste e a vida perderia o sentido. Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a alma... Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto... Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando pensamos que o fracasso seria inevitável... Todas essas são atitudes que embelezam a vida. E, se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são como gotas d`água no oceano, responda, como madre Tereza de Calcutá, que sem essa gota o oceano de amor seria menor. E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas de minúsculas partículas. ................. Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor. Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor. Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal seria consideravelmente menor. E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um pequeno tijolo na construção de um edifício. Lembre-se da minúscula gota d`água, que delicadamente se equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais romântica, à espera de alguém que a possa contemplar. E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e frágeis gotas d`água que, com insistência e perseverança conseguem esculpir a mais sólida rocha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

As Coisas Que Aprendi

Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você trabalhando muito pelo sustento da casa. Aí descobri que o trabalho enobrece e como é importante o homem prover o sustento de sua família.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você sempre lendo e falando do que lia, então aprendi o grande valor da leitura, que nos torna diferentes e nos livra da alienação.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você me contando histórias, e isso me abriu as portas da alma para mundos maravilhosos, estimulando o meu espírito.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você de mãos dadas comigo, passeando à beira-mar, catando conchinhas e vendo bichinhos, e isso imprimiu em minha mente e coração a admiração pela natureza e o amor pela vida e pela biologia.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você se importando em comprar kits de "Os Cientistas" e em separar um cantinho da casa para meu laboratório, e isso me fez dar importância à Ciência e me apaixonar por ela.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você despojado dos bens materiais, dando mais valor ao ser do que ao ter, e eu entendi as verdadeiras prioridades da vida: a família, o amor, o alimento de cada dia, os estudos, a honra, e não os imóveis, os carros, as roupas nem dinheiro.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu sempre vi você tocando e escutando boa música, e me dei conta de como ela é importante para o espírito humano, e isso me fez, um dia, relacio-nar-me com a música de uma forma bem especial.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você desenhando, com traços incríveis, e isso me influenciou a valorizar este e outros talentos com que o Todo-Poderoso presenteou nosso sangue.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você contando belas histórias de seus pais e de sua família, e aprendi como as coisas que dizemos, fazemos e pensamos fazem diferença na vida dos nossos filhos, e como a família é o bem maior que Deus nos dá nessa vida.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi lágrimas em seus olhos, e aprendi que o homem de verdade é sensível e também chora
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você sendo romântico, e descobri que o romantismo é uma dádiva a ser cultivada.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você sendo carinhoso e respeitoso com minha mãe, sempre protegendo-a e cobrindo-a de elogios, e sendo agradecido por tudo que ela era e é, e isso ajudou-me muito a valorizar minha esposa e a mãe de meus filhos, tratando-a com dignidade e amor .
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você me deixando livre para escolher minha profissão, repetindo e repetindo que não importava o que eu quisesse ser, você sempre me apoiaria, e recomendava apenas que eu me esforçasse para ser o melhor possível naquilo que eu escolhesse. E isso me guiou por todos os passos que dei na minha vida, havendo influenciado todas as minhas escolhas.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você falando sempre que não devíamos julgar ninguém, e já adulto descobri que Deus dizia a mesma coisa na Bíblia, e como este conselho me fez rever certos comportamentos arrogantes que eu tinha, e eu pude tornar-me uma pessoa melhor.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você nos levando para passear, pescar e brincar nos rios e corredeiras, e ali ficaram marcados no meu coração momentos preciosos de apreciação da natureza e de convívio familiar.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você abrindo as portas de sua casa a seus amigos e aos amigos de seus filhos, cedendo até seu quarto e sua cama, e isso me fez entender o valor da hospitalidade, que mais tarde aprendi ser também um conceito bíblico.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você consertar o meu brinquedo favorito e eu aprendi que as coisas pequenas podem ser as mais especiais na nossa vida.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você alegre, sorridente e brincalhão, mesmo quando as coisas não iam muito bem em certas áreas, e isso me fez enxergar o valor da atitude.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você dando seu tempo e seu dinheiro para ajudar pessoas mais necessitadas e eu aprendi que aqueles que têm alguma coisa devem ajudar quem nada tem, e isso colaborou para o espírito voluntário que eu tenho hoje.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi você me dando um beijo de boa noite e me senti amado e seguro.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu vi como você cumpria todas as suas responsabilidades, mesmo quando não estava se sentindo bem, e eu aprendi que tinha que ser responsável quando crescesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando, foi quando eu aprendi a maior parte das lições de vida, que eu precisava para ser uma pessoa boa e completa quando eu crescesse.
Quando você pensava que eu não estava olhando, eu olhava para você e queria lhe dizer: obrigado por todas as coisas que eu vi e aprendi quando você pensava que eu não estava olhando! Pois quero dizer-lhe isto agora:
OBRIGADO, MEU PAI.
Você me deu tudo o que todos querem, mas poucos têm. Você me deu coisas que não têm preço, que não podem ser medidas nem compradas, coisas que jamais poderei pagar ou retribuir... Mas posso tentar dá-las aos meus filhos, e acho que essa é a maior recompensa: saber que seus valores mais preciosos, que a traça não corrói e a ferrugem não come, permanecerão geração após geração, marcados nos corações daqueles que ganharam e ganharão a benção de serem seus descendentes.
Obrigado, meu pai.